Ia de mota, prestes a atravessar a Ponte 25 de Abril para entrar em Lisboa.
Confesso que estava um pouco nervoso.
Tinha visto um vídeo da Ponte 25 de Abril em que dois simpáticos motoristas de autocarro começaram a circular lado a lado nas faixas exteriores, deixando a faixa do meio livre para que os pobres motociclistas se pudessem enfiar ali e proteger-se da ventania.
Como se fosse um refúgio em movimento.
Uma sanduíche de autocarros a proteger os condutores de duas rodas do vento. Um gesto e tanto.
Nesse dia não estava muito vento, mas, das três faixas em cada sentido, duas são feitas de placas metálicas perfuradas com pequenos quadrados, através dos quais se vê o Tejo lá em baixo… muito lá em baixo.
As motas não conseguem circular confortavelmente sobre elas. Eu já tentei.
E foi então que o vi.
O cartaz que te vou mostrar aqui.
Acho que, pelo contexto, percebes perfeitamente o que dizia.
Voltei a encontrar o mesmo anúncio nas autoestradas do Norte e do Sul de Portugal.
Deve ser um negócio com bastante procura.
Não faço ideia de quantas pessoas morrem por dia em Portugal, muito menos quantos suicídios ou homicídios existem.
Também não sei se há grande diferença entre limpar um espaço onde viveram pessoas e limpar um espaço onde alguém morreu. Mas alguém encontrou aí uma oportunidade e não para de anunciar os seus serviços.
Como terá chegado a essa conclusão?
Talvez já tivesse uma empresa de limpezas. Talvez tenha vivido uma situação difícil na família. Ou talvez tenha visto episódios a mais de CSI.
Não sei se isto nasce de uma vocação.
O que sei é que lançou o negócio e tudo indica que lhe está a correr muito bem.
Imagino-os vestidos com fatos de proteção química, cobre-botas, luvas para não contaminarem a cena, coordenando cada movimento com a polícia científica.
Quem sabe.
O negócio que te pode dar uma boa vida pode estar em qualquer lado.
É preciso aprender a ler os sinais.
As necessidades dos clientes gritam para serem ouvidas muito antes de alguém decidir resolvê-las.
Vamos continuar a explorar mais exemplos de oportunidades.
Hoje não te vou pedir que subscrevas o meu email diário.
Peço-te apenas que envies este texto a alguém que ande um pouco perdido. Talvez uma destas leituras lhe acenda uma luz.
E por hoje é tudo.
Até amanhã.
Quando um negócio investe muito em publicidade, normalmente é um bom sinal.
A Zara não se anuncia muito, mas as suas lojas são anúncios por si só.
Acabou de abrir uma loja gigantesca no centro de Lisboa, na melhor zona da cidade.
Que anúncio.
Repara que no cartaz não há um número de telefone para ligar.
Há apenas um site.
Continuo a pensar onde é que eles realmente ganham dinheiro e acho que finalmente encontrei a resposta.
Quando compras ou herdas um imóvel em que o proprietário anteior faleceu, normalmente decides esvaziá-lo por completo, sem perder muito tempo a procurar possíveis objetos de valor.
É aí que está o grande negócio.
Ainda por cima em Portugal, onde muitas pessoas têm uma enorme paixão pelo colecionismo.



