ADEUS, CARRO
Gostava deles. E continuo a gostar.
Já li isto inúmeras vezes ao longo da vida.
E até o meu amigo Rafael Prieto me explicou em detalhe, depois de ter liderado o Grupo Peugeot Citroën durante vários anos: possuir um automóvel é um dos piores investimentos que podes fazer.
Normalmente, salvo se fores taxista, vais utilizá-lo menos de 10% da sua vida útil.
No momento em que o matriculas, desaparecem cerca de 20% do seu valor.
Se somares todos os custos envolvidos — garagem, revisões, seguro, inspeção, combustível, multas, reparações, desgaste, pneus, manutenção e, claro, impostos — a conta torna-se assustadora.
Sai uma fortuna.
Existe uma exceção.
Se fores colecionador e investires em determinados modelos que acabam por multiplicar o seu valor por dez ou até por cem.
Mas isso exige tempo.
Muito tempo.
E normalmente não são carros para usar todos os dias.
Uma vaca leiteira para o Estado
Um carro é uma autêntica vaca leiteira para o Estado.
Tal como uma casa.
Pagas impostos quando compras.
Pagas quando vendes.
Pagas quando arrendas.
Pagas se estiver vazia.
Pagas se viveres nela.
E, em alguns casos, até pagas quando alguém a ocupa ilegalmente.
O carro não costumam ocupá-lo.
Costumam roubá-lo.
Mas pagar, pagas na mesma.
Além disso, as cidades transformaram-se em enormes parques de estacionamento onde estacionas... e pagas.
Mais um pagamento.
E nem vou falar dos combustíveis e dos seus adoráveis impostos especiais.
Ah, e para mim, um radar escondido numa autoestrada que te fotografa a 135 km/h e te oferece uma multa de 200 ou 300 euros também é um imposto.
Só para esclarecer.
E como me desloco?
Principalmente com o carro de São Fernando.
Ou seja, a pé.
Mas um Bolt ou um Uber em Lisboa raramente ultrapassa os cinco euros em trajetos médios de cinco a dez quilómetros.
Um táxi custa um pouco mais.
Mas não muito.
Quando preciso de viajar, dependendo de com quem vou e para onde vou, tenho a liberdade de alugar um carro.
E para viagens frequentes para Madrid, Barcelona ou Valência, obviamente avião.
Ao longo do ano, a média ronda os 70 euros por trajeto.
Benefícios?
Uma preocupação a menos.
Já não procuro estacionamento.
Já não abasteço.
Já não recebo multas.
Ganhei também um hábito saudável.
Caminho mais do que nunca.
E as colinas de Lisboa são uma espécie de ginásio gratuito onde podes treinar quando quiseres e ao ar livre.
Simplificar dá felicidade
Sou mais feliz simplificando a minha vida.
A sério.
Ter menos é ter mais.
Mais liberdade.
Mais saúde.
Mais tempo.
Se estas razões não te convencem, pensa apenas no preço dos carros e na quantidade de dinheiro que poupas quando delegas a tua mobilidade a terceiros.
E ainda podes complementar tudo isso com bicicletas ou trotinetes alugadas.
Por aqui ainda não começaram a falar em proibi-las.
Outro dia conto-te a maravilhosa descoberta que foi viver em casa arrendada.
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